De cima tudo era silencioso. Era algo estéreo, cristalino, de uma conformidade singular. Como se nada tivesse acontecido, como se a civilização nunca houvesse existido. Árvores enormes ocupam prédios velhos e empoeirados. Mais ao horizonte o que antes era um centro comercial, agora é um deserto com pequenos resquícios de civilização. Calmo e silencioso. O Drone M-667 sobrevoa o que fora uma cidade grande, cheia de vida, cheia de morte, cheia violência, mas com pouca bondade; cheia de máscaras. Rapidamente ele desce rumo ao solo arenoso e sem vida. Pequenos sustentáculos emergem de seu interior metálicos emitindo pequenos sons e bips rápidos. Quando alcança o solo M-667 para por alguns segundos. No topo de seu corpo uma pequena esfera vermelha avança para fora e seu ponto focal faz pequenos avanços a distancias, como que procurando algo. Seus receptores analisam cada metro quadrado, cada fresta ou recanto no resto de edificações semi-enterradas naquele terreno morto. Súbito algo alerta o pequeno Drone e o mesmo sai caminhando desajeitadamente rumo a alguma coisa próximo ao que seria um carro com metade de sua estrutura comida pela terra.
Ao se aproximar seu Sensor de Vida emite um pequeno sinal a ser processados pelo seu banco de dados. Informações absorvidas e analisadas e M-667 avança mais um pouco até próximo ao veículo enferrujado. Seu sensor encontra um pequeno animal adulto acompanhado de mais três pequenos. Sua diretriz básica o avisa do achado, seus receptores confirmam o sinal e seu comando primário tenta rodar o programa de retorno a base principal, mas algo acontece. Algo súbito e inesperado. O Drone alça voo para os céus com leveza e tranquilidade. Logo ele sai do alcance do achado e seus sinal é perdido. Indo rumo ao Norte o M-667 encontra o Oceano Atlântico com seus mares revoltosos, com sua água quente, mas agora com uma cor verde-opaca. O Drone segue em linha reta por 300 quilômetros até encontrar um enorme duto que sai das águas para os céus. O Drone adentra e segue com padrões de voo calculados até o que parece ser uma doca. De lá o mesmo é elevado e encaminhado através de uma esteira até um hangar onde outros Drones de modelos diferentes parecem recarregar as baterias. Logo M-667 adentra em um pequeno cubículo onde alguns cabos são inseridos em suas entradas de dados.
Rodando e copiando as informações do Modelo Primário de Busca de Vida M-667. Dados inalterados.
O Drone logo é liberado para mais uma ronda em Terra. No trajeto um backup é imposto aos seu banco principal voltando ao achado e logo em seguida o deletando. A Inteligência Artificial de M-667 concluiu que a culpa da atual situação do planeta foi causa dos humanos e os mesmos perderam o direito de retornarem para a Terra, pois segundo conclusões do Drone a Humanidade é uma doença e não deve mais voltar a esse habitat. M-667 singra os céus limpos e tranquilos e tão logo se depara com outros dados que havia deletado de seus banco de memória, como pássaros que sobrevoam junto a ele pela costa do continente Sul-Americano. O Drone não sabe o que é satisfação ou alegria, mas alguma coisa em seus dados fazem com que suas ações lhe pareçam corretas e ajustadas ao um nome: mundo livre. Seus "irmãos" chegaram a mesma conclusão... Um mundo sem a maior praga que este planeta pode suportar: a humanidade.

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