Pular para o conteúdo principal

All Star Batman & Robin



Início de 1996. Esse foi o ano em que vi que gibis era uma coisa muito mais do que uma mera leitura despretensiosa de 20 min. Eu havia voltado a comprar gibis em 1994, digo... a colecionar mesmo. Afinal... eu comprava antes, mas de maneira meio esporádica. Aqui e ali. Mas o que eu comecei a comprar em 1994 foram as revistas de linha tipo Super-Homem (hoje o título do Homem de Aço no Brasil se chama Superman), X-men e essas coisas. Mas em 1996, um amigo me emprestou Cavaleiro das Trevas, um encadernado com a mini- série que saiu nos EUA em 1986 escrita e ilustrada por Frank Miller (que já havia saído aqui também em mini). Cara...aquilo era surreal. Cavaleiro é o que seria o derradeiro conto do Batman. Ele velho e aposentado vendo Gothan City sendo tomado pela violência, gangues, corrupção e até terrorismo. Com tudo isso, ele retorna ao manto do morcego, praticamente arma uma batalha campal e violenta nas ruas da cidade e mostra quem é que mandava naquela porra! Com direito ao Coringa mais insano que nunca, um Superman pau-mandado do governo estadunidense e um Arqueiro Verde sem um braço. Uma viajem só. Eu nunca tinha enxergado esse universo heróico de maneira tão caótica e real. Claro... que depois de alguns anos fui tomar conhecimento de Watchmen, obra- prima de Alan Moore e pra minha a melhor HQ de todos os tempos, que é, junto a Cavaleiro das Trevas, um divisor de águas no mundo das HQs de Super- Heróis. Mas Watchmen, eu falarei mais em outra oportunidade.


O que sei é que Miller é um cara que fez ótimas coisas. Produziu a melhor fase do Demolidor- O Homem Sem Medo pra Marvel, voltou ao Batman e escreveu (com arte de David Mazzucchelli) Batman- Ano Um, com o começo de carreira do Homem Morcego. Voltou a Marvel e detonou com A Queda de Murdock (também com o Demolidor e David Mazzucchelli) e Elektra Assassina, escreveu os roteiros de Robocop 2 e 3, fez a graphic novel Ronin pra DC e foi um dos mais produtivos na década de 80. Na década seguinte, estourou com Sin City na Dark Horse e criou 300 (ambos se transformaram em filmes de sucesso de crítica e público). Enfim... não vou traçar um perfil completo do Miller... num tô aqui pra falar de toda a sua extensa produtividade para a Nona Arte. Estou aqui pra saber por que cargas d´água ele anda fazendo merda. Miller é um cara genial... mas de uns tempo pra cá, preferi ficar no meio da polêmica do que criar boas histórias.



Quando resolveu voltar ao universo de Cavaleiro das Trevas entre 2001 e 2002, logo notou-se que seu traço havia sofrido uma mutação fedida. Um traço rápido e preguiçoso. Não era o Frank do Original. Batman O retorno do Cavaleiro das Trevas parece muito mais um caça níqueis. Até as cores de Lynn Varley ficaram horríveis. Ela coloriu o primeiro Cavaleiro de 1986 belamente à mão...e desta vez, tentou usar um PC e cagou o pau. Intragável essa continuação. É um ´blockbuster´ que num deu certo. Depois resolveu co-dirigir Sin City com Robert Rodriguez (mas pra mim... foi Rodriguez quem fez tudo). Aí entrou numa polêmica quando disse que estava escrevendo e desenhando Batman vs Al Qaeda. Credo! Foi alvo de inúmeras críticas pesadas. Inclusive de companheiros de trampo. E agora aonde eu quero chegar: All Star Batman & Robin- The Boy Wonder.



Sabe porque dei esse rodeio todo? Porque sou fã de muita coisa que Miller fez. Ele tem um histórico espetacular. E de repente, vem tomando decisões estranhas. A série All Star, como eu bem (clique aqui) disse no começo do blog sobre a mesma série, só que com o Superman com Grant Morrison e Frank Quitely, é uma resposta da DC a bem sucedida série Ultimate (no Brasil Marvel Milenium), onde se pega os personagens conhecidos da casa (na Marvel, seria Homem-Aranha, X-Men, Quarteto Fantástico) e os coloca pra começar do zero mas atualizado nos dias de hoje. Como se eles surgissem agora. Com suas origens levemente modificadas para o século 21, já que todas essas criações são da década de 70 pra baixo. Bem...a DC vem fazendo o mesmo com Batman e Superman na série All Star. Só que Superman é infinitamente superior ao Batman nessa encruzilhada. Miller se juntou ao desenhista Jim Lee (mainstrain na década de 80 e 90 com X-Men) para contar uma HQ que pra mim até aqui, é completamente inútil. Um Batman mais insano do que sempre foi. Derrubando e atropelando policiais corruptos e tudo isso pra "recruta" o menino prodígio, Dick Grayson, futuramente Robin. Saca só como a coisa vai de mal a pior. O cara levou 4 edições pra contar uma fuga com o menino que acabara de ver os pais serem assassinado no circo onde trabalhava como trapezista. E no final, num contou porra nenhuma.



A situação da revista, nos EUA é grave. Está atrasada a mais de UM ano. Isso mesmo. Só foi lançado até a edição 4, porque Miller atrasou os roteiros. Atualmente, Lee está de posse dos roteiros e a edição do morcegão voltou a pauta da editora. Com o atraso lá, claro que a edição está suspensa aqui também por tempo indeterminado. Porque falar de tudo isso agora? Porque só agora que li. Depois que peguei as 4 li tudo duma vez e foi a leitura mais enfadonha e canastra que li. Frases de efeito. Diálogos "chumbados"...enfim... é uma pena ver Frank Miller...o mesmo cara que concebeu HQs históricas...numa linha tão bamba. A arte do cara pras capas alternativas tão uma droga. Meu gato cagando na areia faz melhor. Que o Miller retorne um dia.





Frank Miller

Comentários