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Os fabulosos filmes de Satoshi Kon

O diretor de filmes animados japoneses Satoshi Kon morreu ano passado. Para trás o visionário criador deixou para trás poucos filmes, mas são produções que em muito fogem o comum de uma animação que estamos acostumados a ver. Seria difícil definir um paralelo exato de onde fica suas produções, mas com certeza fica entre as melhores coisas já feitas no seguimento. Ele começou trabalhando co lay-outs para estúdios em produções de Katsuhiro Otomo como Roujin Z. Depois dirigiu um curta para Memories em 1996 também para uma produção especial de Otomo. O curta se chama Magnetic Rose e o cara já dava toda a pinta que seu lance era o “esquisito” e paradoxal. Antes ele ainda tinha trampado em World Apartment Horror também junto a Otomo em 1991. Seu primeiro grande trabalho foi Perfect Blue (1997), passando por Millennium Actress (2001), Tokyo Godfathers (2003) e por fim Paprika (2006). Ele estava trabalhando em um filme chamado Yume-Miru Kikai (The Dreaming Machine seria o título em inglês). Não se sabe em fase esse trabalho parou, mas algumas pessoas dizem que já estava em pós-produção. Seus grandes trabalhos foram todos pela Madhouse. Abaixo pequenas resenhas sobre seus trabalhos mais marcantes.

Perfect Blue (1997)

Um filme forte. Para quem é acostumado a animação japonesa de ação e golpes secretos fodões, passe longe de Perfect Blue. O filme é um triller de suspense que começa devagar, mostrando como são as coisas até que enfim engate. Na trama Mima é a vocalista de uma banda chamada Cham! e cansada de ser chamada de “rostinho” bonito resolve mostrar que tem mais que isso. Então tenta encarar a carreira de atriz num mundo muito mais puxado que o seu. Acontece que um fã exarcebado não concorda com a saída da cantora do grupo e começa a perseguir a Mima de forma doentia. Com certeza não é uma animação para fãs de animes de ação. Ele é violento, contém cenas de nudez e tem um efeito psicológico forte. A animação em si é fantástica, buscando cenários verossímeis e movimentos mais humanos. Um dos melhores animes que já assisti. Se você quer um filme que fuja de robôs assassinos, bichinhos fofos que evoluem ou poderes mágicos redundantes, esse é seu filme.

Nota: 9,0

Millennium Actress (2001)

Pra mim o mais “fraco” dos filmes de Kon, mas nem por isso quer dizer que seja ruim. Acontece que Millennium Actress se volta novamente pra o mundo das atrizes e dessa vez ele resolve contar a história de uma reclusa atriz idosa que não quer mais saber de mídia chamada Fujiwara Chiyoko. Seu entrevistador Genya é um grande fã da atriz que ele acompanha desde criança e para ele é um verdadeiro deleite poder fazer isso. Então, o ontem e o agora se misturam nessa história contada de forma não linear, o que pode deixar o espectador confuso em alguns momentos se não estiver prestando atenção. Aqui a trama se mistura entre a vida da atriz e seu passado em mais de 30 décadas atrás. Podemos ver de várias formas como a atriz conseguiu integrar o cinema, seus medos e desafios como mulher, filha e artista. Ele sai um pouco do convencional para poder contar essa trama de uma forma mais objetiva. Em dados momentos o longa se torna cansativo por se repetir nas mesmas fórmulas do próprio filme, mas com um pouco de calma, dá pra sacar o que ele quer passar.

Nota: 7,0

Tokyo Godfathers (2003)

Aqui temos uma visão diferente de Tóquio e seus habitantes. Se estamos acostumados a ver sempre os japoneses em suas casas, carros, jogando games ou andando em parques, nesse filmes temos uma visão mais aguçada do miolo da cidade onde Kon nos coloca sob a perspectiva de três moradores de rua que encontram um bebê nas ruas durante o natal. Com os três sem-teto resolvem que irão encontrar os pais da criança e saem por Tóquio enfrentando várias adversidades como frio, fome, espancamentos, violência e vários outros problemas. Mas o mais bacana nesse filme são os personagens que ganham com uma veia realista muito grande. Temos um travesti, uma sem teto que tinha casa e um ex-marido que não consegue se perdoar por erros no passado. O que nos leva a caminhos tão complexos é uma das questões que Tokyo Godfathers tenta passar pra você. A animação continua sensacional, mas em alguns momentos ela cai um pouco de rendimento. No entanto, a trama é tão emocionante que algumas falhas de roteiro (como várias coincidências extremas) ficam de lado em nome da diversão.

Nota: 8,5

Paprika (2006)

Quando A Origem saiu para os cinemas em 2010 muita gente logo ligou a nome “Paprika”, inclusive eu. E temos que dar o braço a torce: de certa forma tem tudo a ver. Aqui temos um dos filmes mais complexos já feitos dentro do cinema japonês em geral, levando em conta certas lógicas. Quando uma equipe de psicoterapeutas criam um aparelho capaz de gravar sonhos para futuras intervenções, três deles acabam roubados. Com isso alguém começa a invadir os sonhos das pessoas e manipulá-los. Cabe agora ao criador do aparelho, uma médica e um detetive encontrarem uma forma de resolver o caso. Paprika no caso é um alter-ego da médica, é a agente que se funde dentro da mente das pessoas buscando melhorias, mas agora ela corre contra algo muito maior, um cataclismo que poderá fundir o real com o mundo dos sonhos num jogo de gato e rato passando por diversas etapas no mundo onírico.

Nota: 9,0

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