
A primeira impressão (às vezes) é a que fica. Quando começaram a sair noticias sobre o filme Sucker Punch pelos sites especializados, logo se fez um oba-oba pelo novo trabalho de Zack Snyder. Eu me mantive longe dessas notas que por ora era de bastidores, enredos, fotos aleatórias, etc. Quando as fotos oficiais e trailers começaram a pipocar, por algum motivo que não sei (premonição?) eu também não me interessei muito em buscar mais informações. Apenas perto de seu lançamento em março foi que comecei a olhar os trailers e de cara eu pensei: que coisa ruim, cara. Isso foi a impressão que tive do filme apenas vendo o trailer. Não sei como foram as críticas por aí, pois nem tive saco de ler, mas sei que lá fora parece que não fez muito bonito. Se eu tiver errado, por favor, alguém me corrija. Não fui buscar com precisão essa informação. O filme tem problemas principalmente de concepção: ideias demais, para roteiro de menos, que se super valoriza pelo visual aloprado. Quando terminei de assistir o filme a primeira coisa que me veio a mente foi Van Helsing, aquele filme irritante e sem pé nem cabeça de Stephen Sommers cujo maior mérito é ser uma grande bola de efeitos especiais e ação descerebrada, mas não é o caso Sucker Punch, que tem um texto mais coeso. Zack Snyder é um diretor que ousa. É um diretor que não quer apenas “fazer mais um trabalho” e sim “ô” trabalho. E aqui ele mostrou que precisa mostrar isso.

A primeira coisa que se tem que dizer é que se o filme tivesse menos tomadas em câmera lenta seus 110 minutos de duração caíram drasticamente para, sei lá, 70 a 80 minutos. Tem tanta tomada lenta que parece que em determinado momento que o filme não tá saindo do lugar. Todo mundo faz careta. Todo mundo faz pose. Todo mundo é o “Wolverine” do filme. Chega um momento que fica chato. O filme tem tanto efeito especial que parece que usaram um super photoshop na película toda. As lutas são tão fodas que eu encaro como se fosse um nível de videogames: cada chefão a megalomania é maior. Samurais gigantes armados com muramasas e metrancas (uhhh) com lutas baseadas em animação japonesa, dragões arrochados, soldados orcs caindo que nem mosca no chão, robôs assassinos, etc. Mas vale ressaltar: as cenas de batalha, lutas, tiros têm uma coreografia muito bonita, plástica mesmo. É bonito de se ver e deixa você empolgado... eu admito que em algumas eu tive sono, mas é que é tão arrombado dum jeito que fica banal em determinado momento e gratuito demais. A protagonista Emily Browning (Babydoll) tem cara de choro do começo ao fim, sempre com as sobrancelhas em posição de “coitadinha”. Só tinha essa cara. Mas era bem gostosinha. No entanto, as mulhé são bonitonas mesmo. Outra coisa que era meio irritante: toda cena de passagem de momento parecia um videoclipe da MTV. Eu quase vi o Evanescence tocando no fundo. Hahaha!

Na trama pseudo-intelectual-fantasiosa-dramática, a protagonista Babydoll acaba num hospício após um confronto com seu padrasto “mal” e está numa sala para ser lobotomizada. Acontece que dentro daquele hospício, a jovem se retrai numa realidade sua, em que possa agir livremente, correndo entre campos líricos num mundo, como já diz o subtítulo do filme no Brasil, surreal. Nessa realidade ela encontra quatro companheiras que resolvem fugir daquele “prostíbulo” mental e cada vez que a jovem resolvia entrar em cena, somos jogados para outra realidade ainda mais animal. A ordem é “caotizar”! Aqui qualquer fã de Dragonball Z ou fanboy vai adorar isso. É tão aloprado que tem uma hora que cansa. Snyder tentou fazer aquela obra tipo Blade Runner, que seria muito mal interpretada nos dias de hoje e viraria cult no futuro. Mas nesse quesito ele falha, pois o filme tem todos os clichês, poses, caretas, textos, e o raio que o parta possível no campo do "arrombamento visual". Me senti num videogame mesmo que quer ser mais inteligente do que é, mascarado por um visual arrasador. Uma coisa pode se dizer: visualmente o filme é bonito. As cenas de lutas são fantásticas, por mais que depois canse. Mas tentar ser inteligente, instigante e acima de sua média e que com certeza deixa o filme abaixo do (meu) esperado. É um filme carregado demais, que quer ser mais do que é: um blockbuster de verão antes do verão. Não é um filme complexo. Dois neurônios funcionam facilmente... mas acontece que ele foi vendido como se fosse um “filme cabeça”, o que gera aí uma série de opiniões fortes de prós e contras. Nas cenas mais sóbrias ele quase convence. É um bom filme? É sim, com certeza vai te entreter com toda aquela adrenalina suada. É um filme para entrar para a história da humanidade? Por favor... é apenas um filme. Entretenimento. Não se deve levar tão a sério. Não vai matar fome na África ou curar os enfermos do mundo. No final fica a dica: Sucker Punch- Mundo Surreal deve ser assistido com amigos pra zuar com toda aquela alopração exarcebada e providencial megaexageradafudidonacabeçafeita, mas divertida de se ver. Durante o filme você vai dizer: “Caralho! Que massa! Radical! Uhhhh! E essa cena? Eiiita! Vixe! Ohhh! Gostosa (vária vezes)! Porradeira! Eiiiita porra!” e por aí vai.
Sucker Punch- Mundo Surreal (2011)Direção:
Zack Snyder
Roteiro:
Zack Snyder, Steve Shibuya
Elenco:
Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Jon Hamm, entre outros...
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