Toda vez que assisto uma animação da Pixar fico me perguntando aonde esses caras vão parar. Acho que eles não vão parar, eles vão seguir sempre em frente. Hoje o mundo cinematográfico vive um caos gerado por dados numéricos. Não importa mais se o filme é bom ou ruim, o importante é que ele alcance o topo de bilheterias do fim de semana. Foi-se o tempo em que filmes era sinônimo de produção divertida. Hoje cinema é produção executiva! E sempre pensando dessa forma, os grandes estúdios não pensam mais na confecção de seus longa metragens, e sim no formato que atraia pessoas de todos os tipos. Eles ficam mirando cenas e ações que levem o público para o cinema com qualquer tipo de artifício, quer seja de efeitos especiais, controvérsias, nudez, pirotecnia e o raio que o parta. Mas indo contra essa maré estúpida e trabalhando sempre numa esfera paralela a todos esses modismos, temos a Pixar! Que pra mim não é só o melhor estúdio de animação do mundo, mas um dos melhores estúdios a produzir cinema de raiz dos dias de hoje. E tudo isso vem resumido em suas animações, que estão sempre um passo a frente do cinema comum.
Up- Altas Aventuras é uma síntese do que estou falando. Desde quando um filme onde um velhinho de 78 e um garotinho de 8 anos de idade é filme de topo de bilheteria? Desde que o que mais seja contar uma boa história, e uma história que venha do coração. Parece piegas, mas é isso mesmo. Pioneira no campo da animação computadorizada, a Pixar não busca mais a perfeição em suas modelagens, ou renderizações e coisas do tipo, que ainda faz muito a cabeça de estúdios por aí. Eles (a Pixar) estão simplesmente usando o que tem em mãos para contar as suas histórias em formato de animação, e nesse caso, a tecnologia é apenas um meio e não o núcleo de seus filmes. Então, vemos uma história emocionante em que um idoso ao lado de um jovem escoteiro se aventuram na América do Sul e no meio do caminho, diversas dificuldades são lançadas aos dois aventureiros, tudo isso, numa casa que flutua através de pequenos balões aos montes. Parece “comum” demais, mas não é. A forma como isso é contado é que faz a diferença, cheio de homenagens ao cinema de animação tradicional. O inicio do filme é simplesmente lindo, onde o marmanjo mais “pitt bull” que seja pode fraquejar e deixar um “cisco” cair em seu olho. Toda a sequencia inicial já vale o filme, mas acredite: fica ainda melhor!
Se eu achava que em Wall-E o pessoal da Pixar tinha atingindo um patamar estratosférico e não dava pra alcançar mais isso, em Up- Altas Aventuras mostra que eu estava errado. E melhor: sempre vou estar. Os caras se superam a cada nova animação, com um formato preocupado principalmente em resgatar a boa animação, a boa história, o gosto por esses filmes tão prostituídos e abusados por estúdios mequetrefes que buscam angariar público com piadinha de peido. A Pixar é hoje o mais preparado e sério estúdio de animações do mercado. Com uma equipe criativa voltada para o simples, para o “legal”. Números aqui é uma pauta que se toca apenas lá pelo décimo parágrafo. Antes de tudo, o mais legal é divertir. Que venha a próxima animação então. Que esses loucos consigam se superar a cada novo feito. E que mais filmes como esses surjam no mercado, pois é de produções feitas com o coração e não com a carteira que os cinemas precisam.
Up - Altas AventurasPete Docter, Bob Peterson
Elenco:
Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, John Ratzenberger
Nota: 9,0
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